quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

COLHEMOS O QUE NÃO PLANTAMOS

"Eu os enviei para ceifar o que vós não semeastes;
outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho"

Essa é a palavra que ficou em meu coração depois dessa viagem que fiz ao nordeste. Estive por 5 dias em Feira de Santana com os estudantes que estavam evangelizando na Universidade de Feira de Santana e depois com os participantes de Andaraí. Especialmente com esse último grupo havia gente de muitas igrejas, inclusive de minha igreja local.

Lá no fundo do coração, paira uma certa atitude de que "nós" fizemos, "nós" somos bons, "nós" conseguimos nos conectar com essa gente e por causa de "nós" esse povo recebeu a Cristo. Engano! Colhemos o que nós não plantamos disse Jesus. Outros trabalharam, outros deram o duro, outros regaram essa terra com muitas lágrimas. Há tempos que pessoas estão orando pelo nordeste, pelo sertão, há centenas de pessoas que durante anos jejuaram e clamaram a Deus pra que fizesse algo nessas terras.

Estou realmente convencida de que de fato, fomos apenas os colheitadores se é que existe essa palavra. Não semeamos, não choramos, não geramos. Apenas colhemos o que outros fizeram. Não há lugar para presunção, para orgulho, para promoção. Deus fez!

Fui convidada no último dia para dar uma palavra aos participantes. Eu os convidei a participar não apenas de um projeto de férias, de um projeto de verão, mas de um projeto de vida.

Um projeto de vida que compreenda pelo menos três coisas:
  1. Viver uma vida de entrega ao senhorio de Cristo, onde Ele pode exercer o comando absoluto de todas as áreas da minha vida.
  2. Guardar o coração porque dele procede as fontes da vida. É possível servir a Jesus e ao próximo, mas com o passar do tempo posso perder o coração, deixá-lo corromper. A Bíblia relata que Salomão por causa das mulheres corrompeu o seu coração e deixou de servir a Deus como fez o seu pai Davi.
  3. E, finalmente, como projeto de vida, buscar de alguma maneira servir a sociedade. Dra. Zilda Arns foi uma médica missionária ou missionária médica? Ela serviu ao proximo e deixou o seu legado. O que estou deixando? Creio que essa questão está além do ser uma excelente profissional. Posso trabalhar duro, buscar a excelencia, mas apenas para mim mesma, para eu adquirir coisas, atingir um certo status social.

Oro para que Jesus continue sendo o Senhor absoluto de minha vida e que meu coração seja íntegro, dócil, na presença dele e finalmente, que Ele me ajude a trabalhar duro para construção de uma sociedade melhor. O que a mim me cabe, quero fazê-lo com amor!

PROJETO MISSIONÁRIO EM MOCAMBO

Tive a oportunidade de visitar o grupo que participou do Projeto Sertão em Andarai-BA. Como o grupo era grande foi dividido. Eu visitei o Assentamento de Mocambo. Famílias inteiras conheceram Jesus através do grupo que diáriamente saia de Andaraí para visitá-los, fazer amizades, conhecer a realidade deles, falar de Jesus e edificar aqueles que se convertiam. Acompanhei irmã Marilda, nossa missionária. Aquele seria o último dia do projeto nesse lugar. Ao contrário da minha cultura paulistana, as familias as esperava dentro de suas casas, de banho tomado, bíblia e lapiz na mão, ansiosos para estudar a Bíblia.

De todas as famílias que irmã Marilda visitou, a que mais me impressionou foi a Lady Laura. Ela e seus 4 filhos estavam esperando fora de casa. Ao ser apresentada, brinquei com Lady Laura, chamando-a de musa do Roberto Carlos. Com um sorriso lindo me acolheu também em sua casa. Conversa vai e vem, irmã Marilda distribuiu presentes para as crianças e depois a despedida. Lady Laura tentou esconder as lágrimas que num determinado momento irrompeu em sua face. Choraram juntas abraçadas. Fiquei impressionada não apenas com Lady Laura, mas com a irmã Marilda. Ela gosta de ser chamada assim. De uma maneira tão singela, ela foi conquistando o coração dessas pessoas. Ganhou um a um para Cristo e para um relacionamento também com ela.

Depois de lá, foi a vez de despedir-se de Marina, aquela que ficaria responsavel em continuar estudando a bíblia com esses novos frutos. Essa foi outra mulher que tirei o meu chapéu. Apenas depois entendi porque Marina acompanhou irmã Marilda nessas visitas. Marina será a sucessora nessa empreitada evangelistica. Ela ficou responsável em continuar edificando as pessoas que irmã Marilda começou. Mais uma oração, mais presente que irmã Marilda ganhou e mais choro. Será que vamos nos ver novamente? Será? Mas a certeza de encontrar-se nos céus.

Sai de lá embora cansada, totalmente renovada, crendo no poder do Evangelho de Jesus. Ouvi pessoas dizendo que sonharam antes que um grupo de pessoas iriam aparecer para falar de Jesus. Se Deus quiser, ainda esse ano, uma ONG de Brasilia, irá para Mocombo, edificar um pequeno templo no terreno que foi doado pelo secretário de lá para agregar a esses novos conversos. Ainda tenho em minha mente a imagem daquela gente querida que nos acolheu e nos deixou compartilhar com eles o Evangelho de Jesus. Fica aqui em meu peito uma oração para que o Deus eterno os guarde e aperfeiçoe a salvação de cada um deles!